trago comigo o grito da águia solitária esse brado lancinante e selvagem que ecoa pelos desertos de todas as miragens em cujas dunas de poeira vento e memória escorrem e perduram inteiras as cinzas das minhas mágoas.
a sombra do vazio
viajo num reino de sombras e claridade. um reino de alucinações efémeras que deslumbram os precipícios e os astros.
caminho sob os relâmpagos que flagelam os despenhadeiros da escuridão e vogo insone pelos espinhaços nus da noite numa nave sem âncora e sem mastros.
encontro-me no ponto exacto do labirinto onde as folhas perdidas mudam de direcção.
ouço a minha respiração ofegante. sinto o batimento do coração e tenho a percepção distinta de que me perdi e não te alcanço, caminhando vacilante contra a eminência de todas as manhãs nas asas de um vento estranho sem norte e sem esperança.
com fome e sede tantálicas navego à deriva rente aos escolhos e meandros das esquinas do tempo e soçobro nas águas turvas que me cercam.
como uma flâmula azul tremulando sobre o espectro do mastro da mezena, só um lugar geométrico permanece.
a saudade lisa e nua da sombra da tua sombra entardecida sobre os nocturnos vértices do vagante vulturno.
o único grito que ressoa na noite não é de Munch, é meu. um grito selvagem e de sal que vagueia incandescente e sem amarras pelos umbrais frios que esquadriam os meus castros de vento e areia.
as palavras balançam num trapézio sem rede. nada me favorece. nem as estrelas. em peregrina imprudência, divago pelas trevas e sigo em círculos, sem bússola nem polar, numa prisão sonora de correntes.
um bater de asas contínuo e um interminável galope de cascos costuram o orvalho das minhas madrugadas. possante e em clarão, Pégaso surge e orbita à minha volta mas não estaca nem me leva no seu dorso velutíneo.
um dia cumprirá a promessa que deixou cativa, de me conduzir, como se nas asas de um vento estranho e sem retorno, a colher os frutos em estrela-de-água que sob os seus cascos brotam das pedras vivas.
Antonin Dvorak, Serenata para cordas, opus 22 (1875), fragm. “Moderato”
sílabas de lume
por tuas mãos se desfaz a neblina. mas diria que não é névoa, chuva ou zimbro o que escorre das arestas molhadas e cavernosas do gélido crepúsculo.
são sílabas de fogo e sombras. sombras cálidas, diáfanas, perfumadas sob o silêncio do entardecer. um silêncio sem margens que se dilata em combustão de lume brando por entre as flores rubras do topo das colinas e o balanço curvilíneo dos flancos.
há uma sede crepuscular, restos de luz e um sopro de essências nocturnas que cortam as sombras das árvores e a superfície lisa das coisas.
procuro-te assim no crepúsculo pando num refúgio de sombras e de raizes.
ainda antes que o lençol da noite se insinue soletro ponto por ponto as sendas do regresso. nelas me desoriento e distancio.
entanto, já muito perto do vértice do caminho, no ponto exacto em que indiferentes as pedras esmagam o vazio, o zéfiro traz-me um perfume intenso a chuva doce e a maçãs frescas.
e é nesse preciso e isolado ponto, em que só o aroma da tua sombra me vale, que me abrigo, aquecido pelo lume que cresce da fragrância anil que orla o teu corpo de deusa.
nessa sombra me adentro, aqueço e permaneço. eu, que sou incêndio e cinza por cumprir.
na linha azul do horizonte infindo, repartido entre a luz da manhã clara e a brumosa sombra que a noite lavra, levanta-se, na geometria das trevas e dos dias, o solstício do tempo e da palavra.
numa inundação de luz, é esse o momento exacto e estático em que o astro-rei mais se afasta do equador. a noite escura serei. tu, o dia redentor.
José Mário Branco (adaptação - refrão a vermelho), instrumentação e interpretação do soneto “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”,de Luís de Camões
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Muda-se o ser, muda-se a confiança; Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre, tomando sempre novas qualidades.
E se todo o mundo é composto de mudança Troquemos-lhe as voltas qu’ inda o dia é uma criança.
Continuamente vemos novidades, Diferentes em tudo da esperança; Do mal ficam as mágoas na lembrança, E do bem, e do bem, (se algum houve...) as saudades.
Mas se todo o mundo é composto de mudança, Troquemos-lhe as voltas, qu’ inda o dia é uma criança.
O tempo cobre o chão de verde manto, Que já coberto foi de neve fria, E em mim converte em choro o doce canto. E em mim converte, e em mim converte em choro o doce canto.
Mas se todo o mundo é composto de mudança, Troquemos-lhe as voltas, qu’ inda o dia é uma criança.
E afora este mudar-se cada dia, Outra mudança faz de mor espanto: Que não se muda já como soía Que não se muda, que não se muda já como soía.
Mas se todo o mundo é composto de mudança, Troquemos-lhe as voltas, qu’ inda o dia é uma criança.
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Tempos de desventura, estes, em que os vampíricos e cevados extorsionários sugam e subtraem às massas o pão de cada dia, para ampliarem, assim, as suas já tão fartas tulhas. Tempos lívidos de servidão e de miséria, falhos de liberdade, de justiça e equidade e até do lume vivo dos afectos. Tempos a urgir profundas mudanças e reformas, antes que seja, de todo, impossível trocar-lhe as voltas.
Distanciando-se das obtusas complicações do presente, trazia saudosamente à memória o tempo primordial e simples, um nostálgico caleidoscópio de cores e brilhos irradiados pelos espelhos de luz das ribeiras da sua infância, repletas de juncos, libelinhas, nenúfares e risos de crianças.
Zbigniew Preisner, música do filme “The Beautiful Country” (2004)
quando estás mais longe, e a névoa sobe velutínea e litorânea rente às azulinas escarpas, subo lentamente as escadas do labirinto das nossas memórias e entro no sótão esquecido de todas as reminiscências, utilizando a chave de cristal que um dia recebi da concha aberta da tua mão generosa.
abro então as arcas encouradas uma a uma, aonde furtivas se enclausuraram as nossas alegrias e mágoas, e onde os doces sorrisos se caldearam, nos dedáleos meandros da memória, com a saudade que orvalha e magoa e jubila na dispersão dos dias. na convergência dos segredos, sento-me em seguida numa cadeira de balouço envelhecida, e reabro os livros velhos e leio as cartas antigas, para mim sempre novas, como se pétalas frescas e perfumadas de rosas vermelhas eternamente renovadas.
depois, tu entras pelo silêncio da noite e sentas-te a meu lado, e sorris-me. no ardor das horas mansas que não morrem, ao som de uma qualquer estação de vivaldi, de uma sinfonia de beethoven ou de uma sonata de bach. com perfumes a cravo e magnólia, lentamente rescendendo das arcas de todas as memórias. e ali ficamos de mãos dadas, por dentro do nosso silêncio cíclico, até que jano abra, pela alvorada azul das estrelas, as portas a um novo dia.
Pavana triste pela mocinha vitimada pelo coronel (in)sensível
Gabriel Fauré (1845-1924), Pavana, opus 50.
Sim, quinze anos tinha no seu corpo em brasa a infeliz mocinha que não tinha casa. Tinha tranças d’oiro e a pele alvacenta, tu foste o primeiro a arrastar-lhe a asa naquele Janeiro dos anos setenta.
Ela pai não teve sequer tinha mãe não tinha sapatos não tinha vestidos não tinha ninguém, só dias sofridos.
Não havia lua não havia estrelas nem sequer abrigo, a casa era a rua da pobre donzela que não tinha amigos.
O seu corpo grácil de pele de alabastro jamais resvalado em sua puridade não tinha cadastro mas foi presa fácil dum lobo esfaimado.
Se um dia voltares à estrada velha no negrume agreste, detém-te e descobre-te, acende uma vela.
Verás numa faia - ou “feral cipreste”? - a seta-coração bem como a mensagem que a bela catraia em aflito pranto no tronco entalhou nessa noite túmulo do seu corpo espanto. Verás, para cúmulo, que foste o primeiro e também o último a dar-lhe dinheiro.
(Zénite)
NOTA: a expressão “feral cipreste” foi retirada de "O Noivado do Sepulcro", de Soares de Passos.
já a seguir, o bolero do dito coronel:
Bolero do coronel sensível que fez amor em Monsanto
Eu que me comovo Por tudo e por nada Deixei-te parada Na berma da estrada Usei o teu corpo Paguei o teu preço Esqueci o teu nome Limpei-me com o lenço Olhei-te a cintura De pé no alcatrão Levantei-te as saias Deitei-te no banco Num bosque de faias De mala na mão Nem sequer falaste Nem sequer beijaste Nem sequer gemeste, Mordeste, abraçaste Quinhentos escudos Foi o que disseste Tinhas quinze anos Dezasseis, dezassete Cheiravas a mato À sopa dos pobres A infância sem quarto A suor, a chiclete Saíste do carro Alisando a blusa Espiei da janela Rosto de aguarela Coxa em semifusa Soltei o travão Voltei para casa De chaves na mão Sobrancelha em asa Disse: fiz serão Ao filho e à mulher Repeti a fruta Acabei a ceia Larguei o talher Estendi-me na cama De ouvido à escuta E perna cruzada Que de olhos em chama Só tinha na ideia Teu corpo parado Na berma da estrada Eu que me comovo Por tudo e por nada
Quem te traz, planta solitária do deserto, ao longo dos séculos? Quem te alimenta e às tuas flores na estéril gleba? Que braço, que mão, que asas, que anjo ou demónio te conduzem e protegem na cela aberta da tua desmedida solidão?
Que ventos selvagens e sem amarras arrebatam os teus alados periantos e os transportam por sobre as dunas do tempo pela planura imensa e faiscante? Que hálito de inclemência e sal é este que sopra do largo?
Por que afagas nas tuas asas aqueles que te consomem e queimam ao longo dos séculos? Donde a força que os desgoverna desde os indecisos confins? Donde o ânimo que os faz subir as altas muralhas de fragas e penhascos da desventrada Costa dos Esqueletos, qual caravana de serpentes enoveladas e arrastadas por sobre as tuas verdes asas, como demónios violadores?
Como sobrevives, se dentro das implacáveis labaredas? Como resistes, eterna e glauca e sempre fresca na envoltura de cal da sáfara planície de restos? Como seguras o tempo primário e imóvel nas areias de sal e de vento e de fogo que fustigam e torturam as tuas enigmáticas brácteas?
E o Sol, por que o recebes de braços abertos, quando é ele que queima o orvalho transparente e breve que haures na lentidão silente das tuas madrugadas? Que umbráculos acautelam a tua semente incendiada quando o astro-rei fulgura sobre os ponteiros do meio-dia? Por que o recebes com o teu sorriso secular e aberto, a ele, que abrasa as areias e as pedras à tua volta até às pálpebras vermelhas do crepúsculo?
Que espúrias cinzas te renascem, gloriosa fénix africana, ao longo das centúrias? Donde os plangentes e lacerados lamentos de harpa que te amanhecem e trespassam de perpétua solidão?
Tu que tudo sabes e perdoas, flor solitária do deserto, tu que sofres no mar de areia, de fogo e de vento que se alevanta do mar frio da Costa dos Esqueletos, diz-me… diz-me… terna amiga: "como se cura a solidão?"
Quero dormir esta noite dentro dos teus braços milenares. Abrigado pelas tuas asas verde-jade. Nas margens precárias do meu leito, tendo por limite as paredes oblíquas do meu quarto de vento e areia, quero beber contigo o frio e doce orvalho da madrugada.
E quando a Lua plena iniciar a descida pelas escadas azulinas do zénite, quero ser um dos navios naufragados. Sem mastros, sem velas e sem leme, vestido de vento e espuma, vogarei contigo em liberdade de algemas pelos lençóis de bruma do Golfo e, desgovernados, adernaremos por sobre os espelhos de areia e algas da Praia dos Esqueletos.
No meu sonho alado e sem âncoras, quando o mel lunar encher de oiro o nosso território, perguntar-te-ei, de novo, como se preenche o vazio da solidão. E tu dir-me-ás então, e tão-somente, que frágil é o corpo, e efémero é o sonho. E eu sei, amiga, que por aí te ficarás.
E juntos adormeceremos de mãos dadas sob as horas ermas de silêncio e solidão sem limites que nocturnas e demoradas tombam por sobre o chão lunar do mítico Namib.
Zénite
Nota: É difícil avaliar a idade que estas plantas atingem, mas pensa-se que possam viver mais de 1000 anos. Algumas poderão ter mais que 2000 anos. Fonte: Wikipedia. http://en.wikipedia.org/wiki/Welwitschia_mirabilis
aqui me encontro na margem ocidental do faraónico nilo quando o sol se tinge de sangue por detrás da grande pirâmide preparando-se para mergulhar nos infindos horizontes da planície de gizé e vejo e sinto a grandiosidade milenar e mítica do egipto antigo e dou por mim rodeado de uma babel humana que parece ter tanta dificuldade em entender-se entre si e com os árabes como estes com os camelos e distraído interiorizo que o egípcio com quem tomo o chá do crepúsculo provavelmente é descendente de kéfren pois tem as feições da esfinge que por sua vez as terá herdado daquele faraó
e é então que dou conta do que me trouxe a estas paragens de areia e pedras que esmagam o vazio e o silêncio e surpreendo-me quando a enigmática figura me fita com o ar interrogador de quem sobreviveu à poeira fina das palavras e às cinzas do tempo espelhadas nas feridas profundas dos milénios que lhe sulcam o rosto e respondo à sua silente pergunta que não estou ali para tentar adivinhar o seu misterioso arcano e sim para lhe pedir que me ajude a decifrar o mito da vida e do amor ou seja tentar encontrar a chave de ouro do enigma que conduziu theseus a ariadne mas ela somente me diz que todo o enigma é um fio que se desalinhou da meada e resvalou pelas sombras escorregadias e frias do labirinto
e que é tão difícil saber qual o que conduz ao minotauro como o que leva a ariadne e acabo por acrescentar que já não quero que decifre nada porque de repente apreendi que os mitos são para respeitar e admirar sem condições tal como as deusas e os deuses de todos os olimpos e tudo isto lhe digo e repito várias vezes até que a esfinge num delírio inconsciente reflectido na dor lancinante que lhe assoma ao rosto e chorando grossas lágrimas de sol e areia que o cálido e abafadiço suão espalha pela planície ainda inflamada de luz do véspero me diz que nem ela é capaz de decifrar o enigma da sua própria existência quanto mais o da vida dos outros pois que julgava ser coeva da pirâmide de kéfren quando afinal tem mais cinco milénios que esta a fazer fé no que lhe dizem os humanos que violam os templos e os abismos sagrados da terra antiga
e assim à hora crepuscular que contorna o vazio de penumbra e areia parto amargurado deste deserto inóspito e tumular ao constatar que os enigmas são isso mesmo incógnitas adivinhações ou mitos que nem a esfinge agora um silencioso e compacto fantasma de pedra adormecido é capaz de decifrar e parto como disse na altura em que reinam as cobras e os escorpiões que são os melhores guardiões dos templos e túmulos perdidos dos reis do ermo que não querem ser roubados e ao mesmo tempo como se por entre flores corresse sinto-me feliz por saber que o teu doce discurso saciará o meu silêncio a sós na saudade infinda inscrita no rosto cativo da lua e das estrelas e anunciada nas areias e pedras escaldantes deste deserto assaz longe das margens precárias das cidades e das árvores apesar de parecer tudo tão perto da mensagem inicial e das promessas perdidas que vagueiam cindidas ao meio pelos vales estreitos da claridade cintilante que veste todas as miragens
recordarás os rostos macerados no cilício das horas vergados sobre os chips de silício no silêncio escravo. recordarás os jovens ungidos de silicon valley silentes morfeus do teu sonho alado e deles receberás o teu passaporte de cidadão global.
(Zénite, in Fulgor da Língua – Coimbra Capital da Cultura 2003)
Em humilde preito de admiração, reconhecimento e apreço, dedico as modestas quadras que se seguem ao ilustre Poeta Adolfo Correia da Rocha, que decidiu, em 1934, adoptar o pseudónimo de Miguel Torga, numa prova de veneração à urze, essa humilde, bravia e espontânea planta que cresce no chão agreste de todo o Portugal e, particularmente, nas fragas e serranias do Norte.
Corresponde a torga, no reino vegetal, à força, à robustez e à energia que sempre caracterizaram a consciência do Poeta e do Prosador, na sua acutilante insubmissão ao obscuro sistema socio-político então dominante. Como a urze relativamente à natureza, nunca se deixou subjugar pela agreste e dominadora natureza humana (leia-se "desumana").
a flor da torga
quando morno o vento sopra da serra e os deuses ávidos beijam as cumeeiras quando subtil o mel lunar afaga a terra e o trigal latesce verde pelas jeiras
quando na madrugada cor-de-rosa a brisa desce lenta das escarpas e em breves ais trespassa voluptuosa os ramos das queirogas como harpas
quando do céu a alvura dos rebanhos desce à urze branca que nas alfombras se mescla em tons de roxo e de castanhos em veludos sépia de luz e sombras
quando a alva se incendeia em mil fogueiras e o sol doira os cabelos de titónia é abril mês de páscoa e sementeiras o que flora e pubesce a casta torga
é então que a urze abre os roxos lábios que a flava abelha oscula e o sol afaga nas asas hialinas dos ventos sábios convertendo a charneca em nívea plaga
és a flor da torga no ermal granítico, espiga de ceres no alentejo errático, gentil welwitschia no namib mítico, magnólia de alabastro, lírio aquático.
és a raiz do nardo em poema épico, o rastro do zéfiro em cântico extático, sacro sal da terra, dócil cardo ascético, a primorosa pena de estilo ático.
és a esfinge envolta em cabal mistério, a escuna que flaina o ameno galerno, és a estrela de oiro no cerúleo etéreo, doce primavera depois do inverno.
em meu castro de vento, agora cinéreo, és o meu fanal e nele me prosterno.
Manuel de Falla, El amor brujo - Danza del fuego fatuo (1915) - Paco de Lucía (guitarra).
do amor como jogo e arte
o amor é um jogo de regras mil e todavia sem regras e apesar disso quiçá ainda por tal não só é jogo é arte é mistério e fantasia de poeta que o sonha luz imortal ou de joalheiro que lavra e cinzela em metal fundente as jóias em linhas mestras ainda e tanto em espiral que por vezes cedo antes ou depois se quebram quando se parte um elo da corrente
o amor é semente guiada pelo vento que busca a água algures além na fonte longe ou perto acima abaixo ou ali defronte e desabrocha em flor aqui e alhures ali no monte sobretudo e sobremodo eternamente
o amor vive de beijos e é de abraços tão carente que bem ou mal melhor ou pior ainda e tanto como outrora antigamente se alimenta de si próprio e é das palavras tão sedento que é tudo na vida e muito mais tal e qual provavelmente que tantas vezes quão demasiadas porventura não somente é paz e encantamento como é fonte de pranto e amargura