CHANSON D'AUTOMNE

Les sanglots longs
Des violons
De l'automne
Blessent mon coeur
D'une langueur
Monotone.

Tout suffocant
Et blême, quand
Sonne l'heure,
Je me souviens
Des jours anciens
Et je pleure.

Et je m'en vais
Au vent mauvais
Qui m'emporte

Deçà, delà,
Pareil à la
Feuille morte.

Paul Verlaine
CASTELOS DE VENTO: Ampulheta

sábado

Ampulheta



Foto: António Louro

Ampulheta

Entre uma e outra âmbula
há um tempo oculto, silencioso,
que corre vermelho de sangue
na ampulheta do teu corpo.

Céu e terra
duas âmbulas
ligadas pela cintura fina
que ajusta dentro
das lâmpadas dos meus olhos
a tua silhueta inteira
e divina de deusa virgem.

Na superior
o fogo do céu que deseja.
Na inferior
o lhano prazer da terra,
o que alberga
e nutre o gérmen do trigo.

Numa incandescência
solar de mel e romãs
tudo cresce e prolifera
rente à promessa dos dias
num crepitar de chamas,
qual cordão de umbigo
saído do lume
de místicas raízes.

[Assim medram
florescem e atravessam
a respiração dos dias e da terra
os renovos que cumprem
e iluminam de brilhos a Primavera.]

2 Comments:

Blogger un dress said...

...que tudo arde

tudo promete

tudo renasce...




:) beijO

9:53 da tarde, setembro 12, 2007  
Blogger Zénite said...

sim, un dress.

fogo
água
terra
e ar
na conciliação
dos contrários.

tudo é volátil
tudo se combina
tudo se transforma em tudo
como nos diz Heráclito, o de Éfeso.

BeijO

7:45 da tarde, fevereiro 27, 2009  

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